Teresa: “Things have to give me more pleasure than work.” (3/3)

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Psssst: This is the follow-up of Teresa’ story. Check the video and part 2 to know more about it…

 

«I’ve always wrote a lot. But usually poetry. Some crappy poetry because it was a soul’s purge. Even at work and all, since I was a kid. I had diaries and little notebooks. I would get home and write some nonsense and that was it. Then I looked as good as new. And those poems started adding up… I’ve always loved to write. It is, in fact, very therapeutical. I had just got out of a relationship, during a changing period, and I needed to take a stock. Writing a book was not even something that occurred to me deliberately. One night I was sitting at the computador,  during a sleepless period, and I started. It was a great experience. A fantastic therapy. Saved a lot of money. I loved it!

I’m not very deterministic not I necessarily believe in destiny – it’s all a big enigma to us, actually. But when someone writes truthfully, in a cold way, about the facts and then reads it, it’s very funny to see how our lives have a certain logic. It is analyzing it in retrospective, which is convenient, therefore you get a different sense of things. But there is a path and it gets you thinking: “How is it possible that I’ve never notice it, that this would lead to that!?”. Things start to fit together, indeed. There is a logical sequence, I think. Not that it makes any sense – maybe nothing makes sense. But the important thing is to understand your journey, the reasons of it and to make peace with it.»

 

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«My paintings are just color. It’s something to fill the canvas. It’s decorative. Just for fun. And then it becomes, in fact, something so therapeutical, so necessary… But painting is not very hygienic. It makes a big mess. And it takes time, it has to dry and all of that.

I like to paint people. I’m painting them and I’m thinking: “This is the aunt what’s-her-name, who is spinster and she is a bore. And then this one is adjusting the bow on the little girl’s hair…”. And then you start it and it’s like you’re experiencing a soap opera. It’s something funny. I paint what I want at the time, what I’m feeling… For me, simple things work better. And I add some humor to it, so it cheers me up when I look at them. As I say, things have to give me more pleasure than work.»

 

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«It was expected that, in my generation, people would get married and have children. The bad things in your life end up having a positive impact sometimes. My parents didn’t get along, had such a terrible marriage, that I never had any sympathy for the institution of marriage. Any. They didn’t get along at all! It was horrible. During my childhood I could feel a latent conflict all the time. Maybe that equipped me to make some decisions I wouldn’t make if it wasn’t for it… I think I would possibly be a very unhappy person. I don’t think that the wife and mother role would fill me. At all. From what I can hear, people say: “It’s important to have children because, when you die, you leave a piece of yourself…”. And it gets me thinking: “But why the hell would the world need a piece of myself?! I mean, I’ve been here! Been there, done that!”. I think there is a certain megalomania, a certain narcissism in all of this. Then there is the opposite point of view: “No, you are selfish. You don’t have children. You don’t perpetuate.”. To every plea there is a counter plea. I conduct myself according to my own reality.

In the beginning it was an option. I’ve never felt that need to have children to feel accomplished. Some people do and I totally get it. It is something important and it’s part of our nature. But I’ve never seen anyone happier than me because of the fact of being married. You don’t need to be married to have lovers, a boyfriend, important relationships in your life. Children is, indeed, the only difference. But since I didn’t have that desire, I came through it unscathed.»

 

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«Aging confronts you, in fact, with your own limitations. Which maybe isn’t that bad, because we loose some of our boastfulness and vanity. It is a process. I still have a little bit of bad temper, but I think I’m getting better. There are a ton of things I’ve been learning. Our ego is a very brave thing. We lose our vanity for a bunch of reasons, something, health related. That is good. At the moment it hurts, but then you think: “Well, screw that…”. You loose all your certainties. You face so many situations. So many things are grey. I would prefer it they were black or white, it would be easier to pick.

I have less and less certainties. I have one certainty: when I was eighteen, I had many more certainties that I have now. I was more inflexible, I thought this, I thought that, I would get fired up. In that aspect I’m enjoying the process of aging. I always have to say what I think it’s wrong, which doesn’t mean that I’m always right. The diference is that, these days, I’m absolutely open to having someone telling me: “Look, have you thought of it in this way?”. And I genuinely think about it and often change my mind. It’s like apologizing. Twenty years ago it was something that would be very hard for me but now it’s not. It’s not at all.

With aging, you also restrain your own action, your affections. It’s not restraining, it’s circumscribing. It’s filtering, getting the very best. It’s not being tired. It’s not having given up, it’s not that. It’s a normal process. You reach a point of contentment. It is something very hard not only to get but also to explain. Because it seems that you have given up. But it’s not. Not at all. It’s the fact that you feel contented, you really like and enjoy things that you didn’t when you were eighteen years old: having a comfortable home, having enough to live, have peace. Those are such good things. Since there have been so many years when I didn’t have these things, it’s something that now gives me a tremendous sense of contentment and a peace of mind.»

 

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These were some of Teresa’ stories. You can also know more about them by purchasing her precious book full of adventures and funny episodes – you can find the ebook on Amazon just by clicking on this link.

 

Psssst: Esta é a continuação da história da Teresa. Vejam o vídeo e a parte 2 para saberem mais…

 

«Eu sempre escrevi imenso. Mas normalmente escrevia poesia. Uma porcaria duma poesia porque aquilo era um expurgo da alma. Mesmo no trabalho e tudo, desde miúda. Tinha diários ou livrinhos. Chegava e escrevia meia dúzia de patacoadas e pronto. Ficava como nova. E aquilo foi acumulando… Sempre gostei muito de escrever. E, de facto, é uma coisa muito terapêutica. Cheguei a uma altura em que saí de um relacionamento, numa fase de mudanças, e precisava de fazer um balanço. Escrever um livro nem sequer foi uma coisa que me ocorresse assim premeditadamente. Um dia estava ao computador à noite, naquelas alturas em que não se dorme bem, e comecei. Foi uma experiência ótima. Uma terapia fantástica. Poupei imenso dinheiro. Adorei!

Não é que seja muito determinista ou acredite necessariamente em destino – é um tudo um enigma para nós, na verdade. Mas quando a pessoa escreve com verdade, de uma forma fria, os factos e depois relê aquilo que escreveu, é muito engraçado ver como a nossa vida tem uma lógica. É certo que se está a analisar em retrospetiva, que é conveniente e portanto também se tira um sentido das coisas diferente, mas há um caminho traçado e pensas: “Como é que é possível não ter dado por isso, que isto ia dar àquilo!?”. As coisas encaixam-se todas, de facto. Têm uma sequência lógica, acho eu. Não é que faça grande sentido – se calhar nada faz grande sentido. Mas é importante para percebermos o nosso percurso e porquê e, quanto mais não seja, fazermos as pazes com uma série de coisas.»

 

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«A minha pintura é cor. É para encher. É decoração. É para divertir. E depois torna-se, de facto, uma coisa tão terapêutica e tão necessária… Mas é pouco higiénico, o pintar. É uma coisa que faz muita porcaria. E consome tempo, tem secagens e não sei quê. Gosto de pintar gente. Eu estou a pintá-las e estou a pensar: “Aquela é a tia não-sei-quantas que é solteirona e que é uma grande chata. E depois esta aqui está a ajustar o lacinho do cabelo da miúda…”. Entra-se naquilo e como se se estivesse a viver uma novela. É uma coisa divertida. É o que me apetece na altura, é para onde estou virada… As coisas simples, para mim, funcionam melhor. Com algum humor que é para me alegrar quando olho para elas. Como costumo dizer, as coisas têm de me dar mais prazer do que trabalho.»

 

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«Para a minha geração, o que era expectável era casar e ter filhos. As coisas más da vida acabam por ter, por vezes, um impacto positivo. Os meus pais davam-se tão mal, tinham um casamento tão péssimo, que eu nunca tive simpatia nenhuma pela instituição. Nenhuma. Davam-se muito mal! Era uma coisa horrível. Foi uma infância em que se sentia o conflito latente o tempo todo. E isso talvez me tenha equipado para tomar decisões que não tomaria de outra forma… Acho que possivelmente seria muito insatisfeita. Não estou a ver aquele papel de esposa e mãe chegar-me. De maneira nenhuma. Pelo que eu oiço, a maior parte das pessoas diz: “É importante ter filhos para, quando partirmos, deixarmos qualquer coisa de nós…”. E eu ponho-me a pensar: “Mas para que raio é que o mundo precisa de qualquer coisa de mim?! Quer dizer, já cá estive! Been there, done that!”. Acho que há uma certa megalomania, um certo narcisismo nisto tudo. Depois há o argumento oposto: “Não, tu és uma egoísta. Não tens filhos. Não dás continuidade.”. Todos os argumentos têm um contra-argumento. Eu rejo-me pela minha realidade.

Foi uma opção minha de início. Eu nunca senti aquela necessidade de ter filhos para me realizar. Há pessoas que têm e eu compreendo perfeitamente. É uma coisa importante e faz parte da nossa natureza. Mas nunca vi ninguém mais feliz do que eu pelo facto de estar casado. Não é preciso estar casado para ter amantes, um namorado, relações importantes na vida. Os filhos, de facto, é a única diferença. Mas como eu não tinha essa sede, passou incólume.»

 

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«A idade, de facto, confronta-nos com as nossas limitações. Que talvez não seja mau, para perdermos um bocadinho a cagança e a vaidade. É um processo. Ainda tenho um bocadinho de mau feitio, mas acho que estou melhor. Há montes de coisas que tenho aprendido. O nosso ego é uma coisa valentíssima. Vamos perdendo a vaidade por razões, às vezes, de saúde. Isso é bom. Na altura custa muito, mas depois a pessoa diz: “Epá, que se lixe…”. Vai perdendo as certezas. Vamo-nos confrontando com tantas situações. Tanta coisa é cinzenta. Eu preferia que fosse preto e branco, era mais fácil escolher.

Tenho cada vez menos certezas. Eu tenho a certeza de uma coisa: aos dezoito anos, tinha muito mais certezas do que tenho hoje. Era muito mais perentória nas coisas, achava isto, achava aquilo, incendiava-me. Estou a adorar envelhecer nesse aspeto. Tenho de ser sempre aquilo que acho que está mal, o que não quer dizer que tenha razão. A diferença é que hoje em dia estou absolutamente aberta a que me digam: “Olha, mas já pensaste neste ponto de vista?”. E eu penso genuinamente e, muitas vezes, mudo de ideias. É como o pedir desculpa. Há vinte anos atrás era uma coisa que me custava os olhos da cara e agora não me custa nada. Não me custa nada.

Com a idade, vais limitando muito mais o campo de ação, os afetos. Não é limitando, é circunscrevendo. O filtrar, o ficar com a nata. Não é cansaço. Não é de ter desistido, não tem nada a ver com isso. É um processo normal. Chegamos a um ponto que é o de contentamento. É uma coisa muito difícil não só de obter como de explicar. Porque parece que desistimos. Mas não é. Não é, de todo. É o facto da pessoa se contentar, gostar mesmo, apreciar as coisas que não apreciava aos dezoito anos: ter uma casa confortável, ter o suficiente para viver, ter paz. São coisas tão boas. Como eu já passei por muitos anos em que não tinha, é uma coisa que me dá um contentamento tremendo e uma paz de espírito.»

 

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Estas foram algumas das histórias da Teresa. Podem conhecer mais ainda através do livro dela, recheado de aventuras, episódios divertidos e pérolas – encontram-no na Bertrand Livreiros através deste link.